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Dr. Thiago Junqueira

Agosto: Seus Hábitos Digitais e a Esclerose Múltipla – Insights Recentes de uma Pesquisa com Pacientes

Agosto é um mês que nos convida à reflexão e ao aprofundamento em temas importantes. Para nós, no campo da neurologia e do cuidado com a Esclerose Múltipla (EM), é também um período para entender melhor o dia a dia e as necessidades de quem vive com essa condição. Recentemente, entre os dias 11 e 20 de agosto, conduzimos uma pesquisa com 35 pessoas que convivem com a EM, buscando compreender seus hábitos e a relação com o universo digital.

Hoje, 26 de agosto, queremos compartilhar com você, paciente, os principais resultados. Nosso objetivo é oferecer insights que validem suas experiências e mostrem como a tecnologia pode ser, e muitas vezes já é, uma ferramenta no seu cuidado e bem-estar.

Seus Hábitos Digitais em Foco: Como Você Usa a Tecnologia?

A pesquisa revelou que os dispositivos digitais – como smartphones, computadores e tablets – são companheiros constantes na sua rotina. Mais da metade dos participantes referiu passar mais de 6 horas por dia conectada, enquanto 31% utiliza dispositivos digitais entre 4 e 6 horas diárias. Apenas 23% dedicam entre 1 e 3 horas.

Mas para que se usa tanto a tecnologia? As respostas mostram uma diversidade de propósitos, que vão além do simples lazer:

  • Redes Sociais: Foram a finalidade mais comum, mencionada por quase todos os participantes.
  • Trabalho: Crucial para a produtividade e compromissos profissionais.
  • Informações sobre saúde: Uma fonte vital para buscar conhecimento sobre a EM e outras condições.
  • Entretenimento (vídeos, jogos, etc.): Presente no dia a dia para lazer.
  • Exercícios físicos / aplicativos de saúde: Usando a tecnologia para manter a forma e cuidar do corpo.

Esses dados confirmam que o ambiente digital é uma parte integrante e multifacetada da vida de cada um.

Os Desafios Digitais que Você Pode Enfrentar

É inegável que a tecnologia traz muitos benefícios, mas a pesquisa também acendeu um alerta para alguns desafios comuns, especialmente para quem convive com a esclerose múltipla. Você não está sozinho se já sentiu os seguintes problemas devido ao uso excessivo de dispositivos digitais:

  • Estresse ou ansiedade: O mais reportado, percebido por aproximadamente 54% dos participantes.
  • Dificuldade para dormir: Relatado por cerca de 49% dos entrevistados.
  • Fadiga ou cansaço aumentado: Percebido por aproximadamente 46% dos pacientes.
  • Dores musculares ou posturais: Mencionadas por cerca de 40% dos participantes.

Apesar desses desafios, uma minoria dos respondentes afirmaram não ter percebido nenhum desses problemas, o que sugere que o impacto da vida digital varia muito de pessoa para pessoa.

Impactos sobre a rotina de exercícios

Quando perguntados se o uso de dispositivos digitais interfere na rotina de exercícios físicos ou atividades ao ar livre, a maioria, 57%, respondeu que “Não interfere”. No entanto, 31% percebem uma “interferência negativamente”, e 11% relatam que “interfere positivamente”, por exemplo, através do uso de aplicativos de exercícios.

A divisão de percepções sobre o impacto digital na atividade física reflete uma relação profundamente individualizada, que se manifesta de maneiras distintas: enquanto muitos conseguem manter suas rotinas de exercícios inalteradas, independentemente da influência digital, uma parcela considerável sente o impacto negativo do sedentarismo e das distrações. Este último grupo pode ser mais suscetível a longos períodos de inatividade devido ao consumo passivo de conteúdo digital (como streaming), ao trabalho remoto prolongado ou à constante interrupção de notificações de redes sociais, que desviam o foco da prática física e fomentam hábitos sedentários.

Impacto sobre os sintomas da EM

Sobre o impacto da tecnologia no controle dos sintomas da esclerose múltipla, as opiniões são divididas:

  • 40% acreditam que o uso de dispositivos digitais ajuda no controle dos sintomas (sendo 27% “Sim, um pouco” e 13% “Sim, muito”).
  • 40% afirmam que “Não faz diferença”.
  • 20% sentem que “Piorou os sintomas”.

Esses números destacam a complexidade da relação com a tecnologia e a importância de um uso consciente.

O Que Esses Resultados Significam Para Você, Paciente?

Os dados da pesquisa são um espelho das suas experiências e um guia valioso:

  1. Validação das Suas Experiências: Se você se identificou com os desafios ou com a forma como usa a tecnologia, saiba que suas experiências são compartilhadas por muitos outros pacientes com EM. Isso valida suas percepções e reforça a necessidade de abordagens personalizadas.
  2. A Importância do Equilíbrio: A tecnologia é uma ferramenta poderosa, mas como qualquer ferramenta, seu uso requer equilíbrio. Pequenas pausas, exercícios de alongamento e controle do tempo de tela podem mitigar os efeitos negativos como fadiga e problemas de sono. Priorizar seu bem-estar físico e mental é fundamental.
  3. Busque Informação Confiável: Com tantos desafios como estresse e ansiedade associados ao uso digital, a qualidade da informação que você consome é crucial. Prefira sempre fontes médicas validadas, organizações de apoio renomadas e, claro, o conselho do seu médico e equipe de saúde para evitar desinformação e preocupações desnecessárias.

Neste final de agosto, reforçamos nosso compromisso em trabalhar para que a tecnologia se torne cada vez mais uma ponte para a qualidade de vida de quem convive com a Esclerose Múltipla. Precisamos olhar para esta questão. Ajuste seu tempo de uso. Atente-se. Foco!

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